Na hora de recorrer ao crédito consignado, muita gente confunde duas modalidades bem diferentes entre si: o cartão de crédito consignado e o empréstimo consignado tradicional. Os dois usam o desconto em folha como garantia, mas funcionam de formas muito distintas — e escolher o errado pode custar caro. Neste post, você entende as diferenças, vê uma comparação direta e descobre qual opção faz mais sentido para o seu caso.
O que é o empréstimo consignado
O empréstimo consignado tradicional é um crédito com valor, prazo e parcelas fixas definidos no momento da contratação. Você sabe exatamente quanto vai pagar por mês e por quantos meses, e o desconto é feito direto na folha de pagamento. Essa modalidade usa a chamada RCC (Reserva de Consignação para Crédito), dentro do limite geral da margem consignável — normalmente até 35% da remuneração bruta.
O que é o cartão de crédito consignado
Já o cartão de crédito consignado funciona como um cartão de crédito comum, mas com uma diferença importante: uma parte da sua remuneração — geralmente até 5%, chamada de RMC (Reserva de Margem Consignável) — fica reservada como garantia de pagamento da fatura mínima. Todo mês, se o cartão for usado, o valor da fatura (ou parte dela, até o limite da RMC) é descontado automaticamente em folha; o que passar da RMC é cobrado à parte, como em qualquer fatura de cartão.
Diferente do empréstimo consignado, o cartão consignado não tem prazo fixo para acabar: funciona como uma linha de crédito rotativa, renovável enquanto você mantiver o vínculo empregatício e a margem disponível.
Comparativo direto: cartão consignado x empréstimo consignado
| Característica | Empréstimo Consignado | Cartão de Crédito Consignado |
|---|---|---|
| Formato | Parcelas fixas, com início, meio e fim | Linha de crédito rotativa, sem data para acabar |
| Margem usada | Até 35% da remuneração bruta | Até 5%, reserva exclusiva (RMC) |
| Previsibilidade | Alta — você sabe o valor total desde o início | Baixa — o custo varia conforme o uso |
| Juros | Geralmente mais baixos | Costumam ser mais altos, especialmente se usado como rotativo |
| Indicado para | Quitar dívidas, projetos com valor definido, reorganizar o orçamento | Uso recorrente de crédito, emergências pontuais de baixo valor |
Por que o cartão consignado pode sair mais caro
O maior risco do cartão de crédito consignado é o mesmo de qualquer cartão de crédito: se você pagar apenas o mínimo da fatura (o valor coberto pela RMC) e deixar o restante rolar, o saldo que fica em aberto pode ser cobrado com juros de rotativo — historicamente uma das taxas mais altas do mercado financeiro. Ou seja: o “consignado” está apenas na forma de garantir o pagamento mínimo, não no custo total do crédito usado.
Um problema comum é o chamado telesaque: o titular do cartão recebe uma ligação oferecendo um “empréstimo”, mas, na prática, o valor é sacado do limite do cartão de crédito consignado, gerando uma dívida rotativa disfarçada de empréstimo — com juros bem mais altos do que os de um consignado tradicional. Antes de aceitar qualquer proposta por telefone, vale confirmar por escrito qual modalidade está sendo contratada.
Quando faz mais sentido usar o empréstimo consignado
- Você já sabe exatamente quanto precisa e para quê (quitar uma dívida cara, fazer uma reforma, comprar algo específico);
- Você quer previsibilidade total do valor da parcela e da data de quitação;
- Você busca a taxa de juros mais baixa possível dentro do universo do crédito consignado.
Quando o cartão de crédito consignado pode fazer sentido
- Você quer manter um limite de crédito disponível para emergências pontuais, sem precisar contratar um novo empréstimo a cada necessidade;
- Você pretende pagar a fatura integral todo mês, evitando cair no rotativo (nesse caso, o cartão consignado pode até funcionar como um cartão de crédito comum, com a vantagem de aprovação facilitada);
- Você já usa o valor máximo permitido da margem para empréstimo consignado (35%) e tem a reserva de 5% do cartão ainda disponível.
Dá para ter os dois ao mesmo tempo?
Sim. Como o empréstimo consignado tradicional e o cartão de crédito consignado usam reservas de margem diferentes (RCC e RMC, respectivamente), é possível ter as duas modalidades contratadas ao mesmo tempo, desde que dentro dos respectivos limites. O importante é não perder o controle do quanto, no total, já está comprometido da sua remuneração.
Cuidados na hora de escolher
- Nunca aceite a contratação de um cartão consignado sem entender claramente o que está sendo oferecido — se a proposta for de “empréstimo”, exija que isso fique explícito no contrato.
- Evite deixar saldo em aberto no cartão consignado. Se possível, pague a fatura integral todo mês para não cair no rotativo.
- Revise seus descontos em folha periodicamente, tanto no contracheque quanto no portal do seu órgão, para identificar cobranças de cartões que você não reconhece.
- Compare sempre o CET (Custo Efetivo Total) entre as opções antes de decidir, e não apenas a taxa de juros anunciada.
Perguntas frequentes
Cartão de crédito consignado é a mesma coisa que RMC? Sim, RMC (Reserva de Margem Consignável) é o nome técnico do percentual da remuneração reservado especificamente para uso com cartão de crédito consignado.
Qual modalidade tem os juros mais baixos? Em geral, o empréstimo consignado tradicional (RCC), por ter parcelas fixas e prazo definido, costuma ter taxas de juros mais baixas do que o cartão de crédito consignado usado no rotativo.
Contratar cartão consignado reduz a margem para pedir empréstimo depois? Não necessariamente. Como usam reservas diferentes (RMC e RCC), ter um cartão consignado ativo não consome, por padrão, a margem disponível para o empréstimo tradicional — mas vale sempre confirmar sua margem total antes de qualquer nova contratação.
É possível cancelar um cartão de crédito consignado? Sim, o cancelamento pode ser solicitado diretamente à instituição emissora. Se houver saldo em aberto, ele precisa ser quitado ou renegociado, e a instituição deve suspender a averbação (o desconto em folha) após a formalização do cancelamento.


